terça-feira, 24 de março de 2026

O Vértice do Aço

I

Nos pátios onde o silêncio é pedra,

o tempo  fisga a viva memória.

A sombra do guerreiro cede,

e a manhã acorda, lasciva.


II

Vibra a lâmina que o desejo forja,

essa espada rosa grande e dura,

cortando o ar que a promessa engole,

na noite, a escrita de uma dor pura.


III

Pela raiz do vento descansa,

da linhagem antiga que persiste.

O metal que canta é o corpo que dança,

o mistério que em nós subsiste.


IV

Um corte seco na noite que termina,

eu até diria de Musashi,

quando a alma curva a espinha,

e o instante, eterno, se abre em chamas.

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