segunda-feira, 23 de março de 2026

A força - alguns poemas

A rosa do corpo dela

A rosa do corpo d' ela,

mistério em flor se revela.

Seu brilho sutil encandeia,

como a lua que clareia.


Seus traços trazem doçura,

pura beleza, sem cura.

Uma obra de arte sem fim,

um jardim que floresce em mim.


Nenhum espinho a ferir,

somente o amor a sorrir.

Pétalas suaves, toque de seda,

a rosa do corpo dela me enreda.


Um poema a celebrar,

a beleza em seu singelo altar.

Um tributo à sua graça,

que a tristeza e a dor afasta.



O Altar do Silêncio

Na herança dos antigos altares,

o destino se escreve em segredo.

Navegam sombras pelos olhares,

tecendo a vida com fios de medo.


A alma evoca a antiga memória,

no rastro de um tempo sagrado.

Escreve-se em sangue a história,

do amor que jazia guardado.


Sob o peso de lutos antigos,

a noite revela sua face estrela.

Entre os ecos e os vãos abrigos,

as rosas dos suspiros negros, 

                                      eram os beijos dela.


O corpo é um mapa de ausência,

onde o desejo se faz mandamento.

Resta-nos apenas a dura premência,

de colher o silêncio no vento.



A força

Erguem-se as colunas de um templo antigo,

onde a memória do sangue          faz sua morada.

O destino não busca mais o seu abrigo,

pois a eternidade já foi nela gravada.


A vitalidade dos seios de missa dela

                             o panteão de tal força,

revela o barro de que somos todos herdeiros.

Nenhuma ausência ou tempo o desejo torce,

diante da glória de seus deuses primeiros.



A Deriva do Império

O destino é um barco de madeira antiga,

sulcando as águas de um tempo esquecido.

Não há mais porto que a alma bendiga,

neste exílio de um sonho perdido.


A história se escreve em areia e sal,

na herança de um povo que o vento desterra.

Onde o sagrado se torna um rito banal,

e o silêncio domina a face da terra.


Olhos verdes de nuvens, o panteão sem deuses,

pelo mar sem tartarugas, tristes sociedade.

Onde a memória se perde em seus meses,

naufraga a esperança em sua própria vaidade.


Resta a palavra como única morada,

entre os escombros de um mundo deserto.

A jornada termina onde foi começada,

sob o teto de um céu sempre aberto.



O Oráculo 

Nas margens do tempo, a história se cala,

erguendo monumentos de sombra e de sal.

O destino antigo na carne se instala,

sob o império de um rito ancestral.


Íbis formosa e negra que sibila por todo lado sua beleza,

converte o silêncio em sagrada herança.

Domina os abismos de sua própria natureza,

onde a vida e o mito tecem sua aliança.



Fêmea das Formas

(A Posição de Quatro)

é uma coisa em quatro

esse cena dela

arrebitada mulher

fêmea das formas


e as formas urubus

travestis comendo a

carniça dela

ou aresta aberta


sei lá como se chama ou se diz

dessa posição

da posição de quatro.



Ancestralidade de Barro

Na poesia fria da memória, o tempo se cala,

de la niña de tromba linda, o sopro que resta.

Loira e sex argila, a forma que a vida escala,

no mármore do destino, o que o silêncio atesta.


A cigana esquecida de um antigo e vasto chão,

minha ancestralidade gravada em pele e pó.

Sevilhana Vivian, fogueira no coração,

que desata o passado e nos amarra em um só.



Brilho de Marfim

Neste clarão de lunas, ritos e capelas,

Onde o desejo em prece se levanta,

A santidade do corpo, formas arcaícas belas,

Em brumas de incenso a alma se quebranta.


Ó carnais esplendores, vago e sacro brilho,

Nas curvas de um relevo em plena luz absorto.

A matéria se despe, ruma em livre trilho,

Para o além do espírito, no silêncio porto.

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