A rosa do corpo dela
A rosa do corpo d' ela,
mistério em flor se revela.
Seu brilho sutil encandeia,
como a lua que clareia.
Seus traços trazem doçura,
pura beleza, sem cura.
Uma obra de arte sem fim,
um jardim que floresce em mim.
Nenhum espinho a ferir,
somente o amor a sorrir.
Pétalas suaves, toque de seda,
a rosa do corpo dela me enreda.
Um poema a celebrar,
a beleza em seu singelo altar.
Um tributo à sua graça,
que a tristeza e a dor afasta.
O Altar do Silêncio
Na herança dos antigos altares,
o destino se escreve em segredo.
Navegam sombras pelos olhares,
tecendo a vida com fios de medo.
A alma evoca a antiga memória,
no rastro de um tempo sagrado.
Escreve-se em sangue a história,
do amor que jazia guardado.
Sob o peso de lutos antigos,
a noite revela sua face estrela.
Entre os ecos e os vãos abrigos,
as rosas dos suspiros negros,
eram os beijos dela.
O corpo é um mapa de ausência,
onde o desejo se faz mandamento.
Resta-nos apenas a dura premência,
de colher o silêncio no vento.
A força
Erguem-se as colunas de um templo antigo,
onde a memória do sangue faz sua morada.
O destino não busca mais o seu abrigo,
pois a eternidade já foi nela gravada.
A vitalidade dos seios de missa dela
o panteão de tal força,
revela o barro de que somos todos herdeiros.
Nenhuma ausência ou tempo o desejo torce,
diante da glória de seus deuses primeiros.
A Deriva do Império
O destino é um barco de madeira antiga,
sulcando as águas de um tempo esquecido.
Não há mais porto que a alma bendiga,
neste exílio de um sonho perdido.
A história se escreve em areia e sal,
na herança de um povo que o vento desterra.
Onde o sagrado se torna um rito banal,
e o silêncio domina a face da terra.
Olhos verdes de nuvens, o panteão sem deuses,
pelo mar sem tartarugas, tristes sociedade.
Onde a memória se perde em seus meses,
naufraga a esperança em sua própria vaidade.
Resta a palavra como única morada,
entre os escombros de um mundo deserto.
A jornada termina onde foi começada,
sob o teto de um céu sempre aberto.
O Oráculo
Nas margens do tempo, a história se cala,
erguendo monumentos de sombra e de sal.
O destino antigo na carne se instala,
sob o império de um rito ancestral.
Íbis formosa e negra que sibila por todo lado sua beleza,
converte o silêncio em sagrada herança.
Domina os abismos de sua própria natureza,
onde a vida e o mito tecem sua aliança.
Fêmea das Formas
(A Posição de Quatro)
é uma coisa em quatro
esse cena dela
arrebitada mulher
fêmea das formas
e as formas urubus
travestis comendo a
carniça dela
ou aresta aberta
sei lá como se chama ou se diz
dessa posição
da posição de quatro.
Ancestralidade de Barro
Na poesia fria da memória, o tempo se cala,
de la niña de tromba linda, o sopro que resta.
Loira e sex argila, a forma que a vida escala,
no mármore do destino, o que o silêncio atesta.
A cigana esquecida de um antigo e vasto chão,
minha ancestralidade gravada em pele e pó.
Sevilhana Vivian, fogueira no coração,
que desata o passado e nos amarra em um só.
Brilho de Marfim
Neste clarão de lunas, ritos e capelas,
Onde o desejo em prece se levanta,
A santidade do corpo, formas arcaícas belas,
Em brumas de incenso a alma se quebranta.
Ó carnais esplendores, vago e sacro brilho,
Nas curvas de um relevo em plena luz absorto.
A matéria se despe, ruma em livre trilho,
Para o além do espírito, no silêncio porto.
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