Palco de Sal
(Recitado, com um murmúrio de mar ao fundo)
O tempo é um bicho que rói o silêncio...
E a gente, aqui, fingindo que não vê.
(Cantado, com força)
Abram-se as cortinas de veludo e vento
Onde o destino dança sem pudor
Sou atriz de mim mesma, nesse momento
Encenando o riso, disfarçando a dor.
É o teatro da vida, meu senhor!
Comédia de erros, drama de ninar
Onde a luz do refletor é o próprio sol
E o palco é esse chão, pronto pra quebrar.
(Suave, quase um sussurro)
Mas se o peito aperta e o gosto amarga
Busco na lágrima o que me dá valor
É o tempero santo que a alma carrega:
O suor do corpo, o sal do amor.
Sim, o sal do amor...
Que arde na ferida, mas preserva o coração.
Que me faz sagrada, que me faz humana
Nessa imensa e divina encenação.
(Finalizando com firmeza)
O pano desce.
A vida fica.
E o amor... ah, o amor é o que autentica.
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