quarta-feira, 25 de março de 2026

Palco de Sal

 Palco de Sal


(Recitado, com um murmúrio de mar ao fundo)

O tempo é um bicho que rói o silêncio...

E a gente, aqui, fingindo que não vê.


(Cantado, com força)

Abram-se as cortinas de veludo e vento

Onde o destino dança sem pudor

Sou atriz de mim mesma, nesse momento

Encenando o riso, disfarçando a dor.


É o teatro da vida, meu senhor!

Comédia de erros, drama de ninar

Onde a luz do refletor é o próprio sol

E o palco é esse chão, pronto pra quebrar.


(Suave, quase um sussurro)

Mas se o peito aperta e o gosto amarga

Busco na lágrima o que me dá valor

É o tempero santo que a alma carrega:

O suor do corpo, o sal do amor.


Sim, o sal do amor...

Que arde na ferida, mas preserva o coração.

Que me faz sagrada, que me faz humana

Nessa imensa e divina encenação.


(Finalizando com firmeza)

O pano desce.

A vida fica.

E o amor... ah, o amor é o que autentica.

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