Anacronismo
Na herança das horas, o tempo se desfaz,
A memória é um rito em sala interditada,
Onde a vida pulsa, em fresta revelada,
E o ontem se mistura ao que o agora traz.
O gesto é barroca e antiga pulsação,
Um inventário de vozes e de ausência,
Buscando no mito a rústica essência
Que escapa dos dedos e do coração.
Pois a alma se despe de toda a herança,
Nua, mais nua como um pássaro, e só
O vento que sabe a medida da dança.
No fluxo das águas que voltam ao pó,
O destino é um fio de mansa esperança,
Laço que aperta e desata num nó.
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