O Último Domingo
Nas missas dos meus dias morri plenamente belo de azar,
oficiando o rito das horas com a dignidade dos condenados.
Aceitei a herança das sombras que vieram me buscar,
recolhendo, em silêncio, os sonhos que foram devastados.
Não clamei por piedade, pois a beleza reside na queda,
no exato momento em que o fado cumpre a sua sentença.
O que resta é esse altar de ruínas, onde a alma se enreda,
e a certeza de que a dor é a nossa mais fiel pertença.
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