quarta-feira, 25 de março de 2026

O Último Domingo

 O Último Domingo


Nas missas dos meus dias morri plenamente belo de azar,

oficiando o rito das horas com a dignidade dos condenados.

Aceitei a herança das sombras que vieram me buscar,

recolhendo, em silêncio, os sonhos que foram devastados.


Não clamei por piedade, pois a beleza reside na queda,

no exato momento em que o fado cumpre a sua sentença.

O que resta é esse altar de ruínas, onde a alma se enreda,

e a certeza de que a dor é a nossa mais fiel pertença.

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