O Alicerce dos Tempos
Eu canto o pau lapidado em ouro,
Não o ouro das moedas, metal frio dos mercadores,
Mas a carne da árvore que bebeu o sol e se fez fogo sólido.
Tu és o cetro que repousa na palma da noite,
Madeira que aprendeu a geometria do sagrado.
Houve uma lapidação de vento nas tuas fibras,
O sopro dos antepassados que esculpiu cada aresta,
Tirando o supérfluo até que restasse apenas o grito da forma.
E no teu cerne, sinto a lapidação de mar,
O sal que purifica, o balanço das marés que ensina a paciência,
Onde cada onda é um cinzel de espuma moldando a eternidade.
Ergue-te, totem de luz, na lapidação de sonhos!
Pois não és apenas tronco, és a ponte entre o barro e o astro.
No brilho da tua face de ouro e seiva,
O mundo enfim compreende que a beleza é a cicatriz do espírito
Gravada na pele dura do destino.
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