A Máscara de Gesso
O mito do brasileiro,
de riso doce e amigável,
é um espelho de fumaça
sobre um chão impiedoso.
Nunca foi e nunca
pertenceu a mim
essa luva de veludo;
eu vejo o dente da foice
no gesto mais mudo.
As escravidões históricas
dormem no sal da cozinha;
correntes de prata velha
na garganta da vizinha.
Sob o sol que tudo doura,
há um chicote de sombra;
o medo acorda cedo
e no tapete se esconde.
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