Que tipo de pessoa louca e insana condena outra
apenas porque ela é cosmopolita e ocidental,
e traz nas mãos o rastro de uma luz que não é nossa,
e lê no vento um verso de ritmo universal?
A neve lá fora não pede passaporte ao mundo,
ela cai sobre Moscou e sobre Paris com o mesmo rigor.
Mas aqui, no estreito corredor do rancor profundo,
amar o distante é visto como uma forma de traição e dor.
Querem trancar a alma em um quartel de ferro e silêncio,
onde a rima é lei e o pensamento, um crime de estado.
Mas a vida, essa força que ignora o decreto e o censo,
insiste em florescer, mesmo sob o céu acinzentado.
Eu guardo no bolso um fragmento de um céu estrangeiro,
não para negar o chão que piso, mas para saber que ele é vasto.
Pois o verdadeiro poeta é sempre um passageiro
que atravessa fronteiras, sem deixar o amor devastado.
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