segunda-feira, 23 de março de 2026

A Fronteira do Nevoeiro


Que tipo de pessoa louca e insana condena outra

apenas porque ela é cosmopolita e ocidental,

e traz nas mãos o rastro de uma luz que não é nossa,

e lê no vento um verso de ritmo universal?


A neve lá fora não pede passaporte ao mundo,

ela cai sobre Moscou e sobre Paris com o mesmo rigor.

Mas aqui, no estreito corredor do rancor profundo,

amar o distante é visto como uma forma de traição e dor.


Querem trancar a alma em um quartel de ferro e silêncio,

onde a rima é lei e o pensamento, um crime de estado.

Mas a vida, essa força que ignora o decreto e o censo,

insiste em florescer, mesmo sob o céu acinzentado.


Eu guardo no bolso um fragmento de um céu estrangeiro,

não para negar o chão que piso, mas para saber que ele é vasto.

Pois o verdadeiro poeta é sempre um passageiro

que atravessa fronteiras, sem deixar o amor devastado.

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