terça-feira, 24 de março de 2026

O Vento na Cintura


Debaixo da lua lúbrica,

o silêncio é um punhal de prata.

No terreiro de sombra e cal,

onde o tambor chama a mata,

erguia-se a mentira pura:

ela, que rebolou, disse: "nunca rebolo".


Oh, mentira de cana-de-açúcar!

Verdade de barro e fogo.

Seus quadris são dois rios vivos,

num eterno e amargo jogo.


Corpo cubana,

feita de fumo e segredo.

Corpo latina,

onde a noite perde o medo.


A saia nega o que o sangue grita,

o umbigo gira, bússola de vento.

Ela jura o chão firme, a alma aflita,

enquanto o quadril desenha o movimento.


Diz que é estátua, mas é correnteza,

negando a dança que a terra lhe deu.

No Cante Jongo da sua incerteza,

quem se perdeu nela... nunca se esqueceu.

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