Debaixo da lua lúbrica,
o silêncio é um punhal de prata.
No terreiro de sombra e cal,
onde o tambor chama a mata,
erguia-se a mentira pura:
ela, que rebolou, disse: "nunca rebolo".
Oh, mentira de cana-de-açúcar!
Verdade de barro e fogo.
Seus quadris são dois rios vivos,
num eterno e amargo jogo.
Corpo cubana,
feita de fumo e segredo.
Corpo latina,
onde a noite perde o medo.
A saia nega o que o sangue grita,
o umbigo gira, bússola de vento.
Ela jura o chão firme, a alma aflita,
enquanto o quadril desenha o movimento.
Diz que é estátua, mas é correnteza,
negando a dança que a terra lhe deu.
No Cante Jongo da sua incerteza,
quem se perdeu nela... nunca se esqueceu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário