quarta-feira, 25 de março de 2026

A Escada de Ar

 A Escada de Ar

Lidar com música, eu digo,

é abrir um poço de lua;

com poesia, eleva um pouco

o cavalo que flutua.


Tira a gente desse chão

de pedra, cal e castigo;

meio duro de ser vivido,

meio amargo de ser trigo.


As cordas da guitarra

são degraus de vento frio;

quem nelas põe a mão

já não morre de vazio.



A Geometria do Pranto

Chorando eu refaço,

com fios de sal e lua,

as nascentes que você secou

no meio da minha rua.

Seu silêncio foi o gesso

que parou o rio vivo;

mas meu olho é um poço

onde o mundo é fugitivo.

Bebem as ervas amargas

da água que me consome;

pois onde você fez deserto,

minha mágoa põe um nome.

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