A Escada de Ar
Lidar com música, eu digo,
é abrir um poço de lua;
com poesia, eleva um pouco
o cavalo que flutua.
Tira a gente desse chão
de pedra, cal e castigo;
meio duro de ser vivido,
meio amargo de ser trigo.
As cordas da guitarra
são degraus de vento frio;
quem nelas põe a mão
já não morre de vazio.
A Geometria do Pranto
Chorando eu refaço,
com fios de sal e lua,
as nascentes que você secou
no meio da minha rua.
Seu silêncio foi o gesso
que parou o rio vivo;
mas meu olho é um poço
onde o mundo é fugitivo.
Bebem as ervas amargas
da água que me consome;
pois onde você fez deserto,
minha mágoa põe um nome.
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