O Beijo de Neve
Teu sorriso de açucena
— que Mallarmé aprovaria —
é uma garça de marfim
na minha noite sombria.
Beijo eu na vida que quis,
sob o olhar de um astro morto:
teu riso é um lírio de sal
ancorado no meu porto.
O Livro das Ondas
Escrevo-te a luz do Brasil,
no que tens de belo e fundo:
uma saudade de prata
que dá a volta no mundo.
Planto o meu coração
nas tuas vinhas de sal;
teus mares guardam o segredo
de um verso sem final.
O Rebanho de Vidro
Espelhos na cidade,
olhos de metal e frio;
onde a lua se estilhaça
no fundo de um vazio.
A natureza de prédios
não conhece o jasmineiro;
nos sonhos acordados do néon,
o silêncio é prisioneiro.
Madrugada Meridional
Ao sul do equador, a lua
tem um brilho de metal;
o vento que entra pela rua
traz o cheiro do pomar.
Vou acordar no teu abraço,
sem o medo do passado;
com o frescor do teu cansaço,
beijos molhados e raspados.
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