quarta-feira, 25 de março de 2026

O Beijo de Neve...

 O Beijo de Neve 

Teu sorriso de açucena

— que Mallarmé aprovaria —

é uma garça de marfim

na minha noite sombria.


Beijo eu na vida que quis,

sob o olhar de um astro morto:

teu riso é um lírio de sal

ancorado no meu porto.



O Livro das Ondas

Escrevo-te a luz do Brasil,

no que tens de belo e fundo:

uma saudade de prata

que dá a volta no mundo.


Planto o meu coração

nas tuas vinhas de sal;

teus mares guardam o segredo

de um verso sem final.



O Rebanho de Vidro

Espelhos na cidade,

olhos de metal e frio;

onde a lua se estilhaça

no fundo de um vazio.


A natureza de prédios

não conhece o jasmineiro;

nos sonhos acordados do néon,

o silêncio é prisioneiro.



Madrugada Meridional

Ao sul do equador, a lua

tem um brilho de metal;

o vento que entra pela rua

traz o cheiro do pomar.


Vou acordar no teu abraço,

sem o medo do passado;

com o frescor do teu cansaço,

beijos molhados e raspados.

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