No ventre da noite, onde a história é um açoite mudo,
eu lanço flechas nos muros escuros da minha própria cela.
Eu as engulo! Engulo o ferro, o sal e o silêncio,
para que minha voz não seja eco, mas lava que racha o asfalto.
E de repente, o relâmpago:
A beleza do corpo negro me dilacera,
não como um beijo, mas como a lâmina do sol no canavial!
É uma beleza de ébano e revolta, um mapa de cicatrizes
que brilha mais que os olhos dos deuses de gesso.
Vejo o mar e o porto, essa boca de lodo que engoliu meus pais,
onde a maresia tem gosto de corrente e de distância.
Ele distante me acena, o porto, com seus braços de guindaste,
fantasma de uma partida que nunca termina,
enquanto eu fico aqui, plantado no grito,
com o coração náufrago, mas a espinha ereta como um mastro de fogo!
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