África ancestral de buracos negros belos na imensidão dos planetas
infinitos, Tua memória é um estuário de estrelas onde a carne se faz mito e
poeira. Navego o teu vácuo com a sede dos antigos navegantes de almas e de
ritos, Pois em teu colo o tempo se ajoelha e a eternidade se torna uma
fogueira.
És o ventre de ébano que pariu as constelações do desejo
e do puro espanto, Uma topografia de sombras onde o verbo se despe para
encontrar sua raiz. Teus abismos são catedrais de silêncio que o meu canto
cobre com seu manto, Enquanto a história, essa amante severa, desenha no teu
dorso uma cicatriz.
No metal lírico do teu sangue, pulsa a herança de deuses
que ainda não dormem, Geometrias sagradas que desafiam a vã ciência dos homens
de mármore e giz. Teu corpo é um mapa de afetos e de fúrias que em dimensões
vastas se conformem, Sob o sol de uma verdade que nos habita desde que o
primeiro sopro se quis.
Consagro-me a esse vácuo fecundo, onde a luz tropeça e
decide por fim morar, Pois amar a tua imensidão é o único épico que justifica a
nossa humana lida. Entre planetas e crateras, somos o rastro de um prazer que o
destino quer narrar, Selando no teu negrume a certidão de nascimento da nossa
própria vida.
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