quarta-feira, 25 de março de 2026

Liturgia

 Liturgia 

Senta-te, poeta, no meio do escuro do teu corpo nu,

ali onde a noite não é ausência, mas carapaça de ébano.

Afunda os dedos no lodo estelar das tuas vísceras

e tece tua razão de orgasmos puros!


Que cada espasmo seja um raio de fome contra o gesso do mundo,

uma arquitetura de gritos que nenhum chicote silencia.

Teu gozo é a única lei que as correntes não decifram.

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