Quanto mais trapaceiro e ladrão mais dinheiro eles têm, que decepção. Sinto esse peso como uma deformidade física, um tumor de cinismo que cresce nas vísceras da cidade, onde a riqueza não passa de uma secreção benta por deuses de gesso.
Nós observamos da periferia da decência, com o
estômago revirado pela náusea de Sartre, enquanto os coletores de impostos e os
mercadores de sombras erguem monumentos à própria astúcia. É um ecossistema de
víboras alimentadas pelo silêncio dos justos.
A pureza tornou-se um dialeto esquecido, um membro
fantasma que ainda dói quando a chuva ácida da corrupção banha as nossas
esperanças mais infantis. O capital, esse fluido amniótico negro, nutre apenas
os fetos da ganância absoluta.
Resta-nos a tarefa de carregar essa vergonha como se
fosse um filho indesejado, mas profundamente real, caminhando entre os
escombros de uma moralidade que ruiu sob o peso do ouro. A dignidade é agora
uma ferida aberta que se recusa a cicatrizar.
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