segunda-feira, 23 de março de 2026

O Velho Só

 O Velho Só


(Cenário: Uma estrada de terra branca sob uma lua de prata fria. O VELHO, curvado sobre uma bengala de metal, golpeia o ar.)


O VELHO

Ai, vento que corta e que fere,

minha esposa fugiu com o dia!

Meus filhos são sombras de neve,

perdi toda a minha alegria...


Estou só nesta estrada de lama,

sem mão que me limpe a ferida...

Ninguém me socorre ou me chama,

no resto que sobra da vida!


(O VENTO sopra forte, levantando uma poeira vermelha e rindo entre as oliveiras.)


O VENTO

Teu pranto é de cobre oxidado,

tua boca só sabe o veneno!

Ouro foi teu único amado,

teu coração sempre pequeno.


Jamais destes flor ou bom dia,

plantastes apenas o espinho.

Agora a tua cortesia

é o frio do teu próprio caminho!




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