O Velho Só
(Cenário: Uma estrada de terra branca sob uma lua de prata fria. O VELHO, curvado sobre uma bengala de metal, golpeia o ar.)
O VELHO
Ai, vento que corta e que fere,
minha esposa fugiu com o dia!
Meus filhos são sombras de neve,
perdi toda a minha alegria...
Estou só nesta estrada de lama,
sem mão que me limpe a ferida...
Ninguém me socorre ou me chama,
no resto que sobra da vida!
(O VENTO sopra forte, levantando uma poeira vermelha e rindo entre as oliveiras.)
O VENTO
Teu pranto é de cobre oxidado,
tua boca só sabe o veneno!
Ouro foi teu único amado,
teu coração sempre pequeno.
Jamais destes flor ou bom dia,
plantastes apenas o espinho.
Agora a tua cortesia
é o frio do teu próprio caminho!
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