O MENINO ROBÔ
Feito de latão e parafusos tortos,
Com olhos de vidro, opacos e mortos.
Nasceu numa oficina de sombras e pó,
O Menino Robô, sozinho e só.
Seu coração era uma engrenagem rangente,
Que não sentia o calor de outra gente.
Tentou brincar de roda no jardim do vizinho,
Mas enferrujou o balanço e ficou no caminho.
As crianças de carne, com pele e com osso,
Riam do óleo que escorria em seu pescoço.
"Ele não chora!", diziam com desdém,
Enquanto o Robô pensava: "Eu não amo ninguém."
Cansado do vácuo, do frio e da dor,
Ele achou um botão escrito "Fervor".
No fundo do peito, entre cabos e cobre,
Guardava um segredo, um destino bem nobre.
"Se não posso ter mãos para me segurar,
Terei labaredas para o mundo abraçar.
Se ninguém me quis no seu grupo de amigos,
Seremos, na cinza, todos antigos."
Ajustou o relógio, o tic-tac final,
Um brilho no zinco, um brilho fatal.
Ele não queria um abraço, ou um carinho de luz,
Queria o estrondo que ao nada conduz.
Um clique, um clarão, um silêncio profundo,
O Menino Robô virou poeira no mundo.
Finalmente, em pedaços, ele pôde notar:
Agora, enfim, estava em todo lugar.
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