sábado, 21 de março de 2026

Noite de agonia

 Noite de agonia, sonho com tu,

a faca da lua sangra no meu ombro,

o vento carrega lençóis de cinza e alecrim,

e teu nome me fere como um galho torto.


Noite de agonia, sonho com tu,

os cavalos negros pastam meu peito aberto,

teu olhar é oliva que não se deixa colher,

e a sombra das torres me chama de órfão.


Noite de agonia, sonho com tu,

o sino da meia-noite tem dentes de vidro,

teu corpo desce devagar pela escada de espinhos,

e eu bebo o silêncio que sobra de teu vestido.


Noite de agonia, sonho com tu,

já amanhece o ferro no horizonte magoado,

mas teu perfume ainda crava pregos na aurora,

e eu morro de pé, sonhando o que já foi sonhado.

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