Noite de agonia, sonho com tu,
a faca da lua sangra no meu ombro,
o vento carrega lençóis de cinza e alecrim,
e teu nome me fere como um galho torto.
Noite de agonia, sonho com tu,
os cavalos negros pastam meu peito aberto,
teu olhar é oliva que não se deixa colher,
e a sombra das torres me chama de órfão.
Noite de agonia, sonho com tu,
o sino da meia-noite tem dentes de vidro,
teu corpo desce devagar pela escada de espinhos,
e eu bebo o silêncio que sobra de teu vestido.
Noite de agonia, sonho com tu,
já amanhece o ferro no horizonte magoado,
mas teu perfume ainda crava pregos na aurora,
e eu morro de pé, sonhando o que já foi sonhado.
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