O Resto da Memória
As cortinas balançam com um cansaço de fantasmas antigos,
enquanto o silêncio rói o verniz dos móveis e a paciência.
Tudo o que sobra são sombras do coração no corredor,
onde a infância apodrece entre retratos e restos de pó.
Lembro-me do cheiro dos lençóis e da humidade dos muros,
de mulheres de rímel borrado e os seus cus de mel amargos.
O tempo é um bicho cego que mastiga os nossos nomes,
deixando apenas o eco de uma voz que já ninguém reconhece.
Não há remédio para esta luz que fere a nuca e o juízo,
apenas o balanço dos barcos que nunca chegaram a partir.
Fecho a porta e o escuro senta-se comigo à mesa,
comendo a solidão num prato de louça já lascada.
Der Rest der Erinnerung
Die Vorhänge wiegen sich müde wie uralte Geister,
während die Stille an dem Lack der Möbel und der Geduld nagt.
Alles, was bleibt, sind Schatten des Herzens im Flur,
wo die Kindheit zwischen Porträts und Staubresten verrottet.
Ich erinnere mich an den Geruch der Laken und die Feuchtigkeit der Wände,
an Frauen mit verschmierter Wimperntusche und ihre bitteren, honigsüßen Hintern.
Die Zeit ist ein blindes Ungeheuer, das unsere Namen zerkaut,
und nur das Echo einer Stimme zurücklässt, die niemand mehr erkennt.
Es gibt kein Heilmittel für dieses Licht, das den Nacken und das Urteil verwundet,
nur das Schaukeln von Booten, die niemals in See stechen.
Ich schließe die Tür, und die Dunkelheit sitzt mit mir am Tisch,
und isst Einsamkeit von einem angeschlagenen Teller.
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