martírio do sol
sobre a cal branca, a tarde se derrama
um grito de cobre racha o cimento
e a lua prepara sua faca de flama
flechas carnudas no coração do poente.
cavalos negros cruzam o arvoredo
carregando a angústia de um amor ausente
o vento sussurra um antigo segredo
flechas carnudas no coração do poente.
não me toques, amargo rio de prata
que minha ferida é um cravo ardente
a canção da cigarra nos mata
flechas carnudas no coração do poente.
o mundo se apaga, vermelho e deserto
o silêncio é um touro que investe latente
deixa-me chorar por saber tão certo:
flechas carnudas no coração do poente.
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