sábado, 21 de março de 2026

as vozes silenciosas que nos habitam

 as vozes silenciosas que nos habitam

não pedem licença nem lugar ao sol

apenas deslizam no papel que aceita

escrever poemas e depois esquecê-los


porque a memória é um pano gasto

onde o fio da palavra se desfaz lento

fica a sombra do que foi dito outrora

entre o cansaço e o breve esquecimento


não há glória na tinta que se apaga

nem rastro de sangue no verso mudo

importa o gesto de lançar ao vento

o que a alma sentiu por sobre tudo


amanhã serei outro e o livro estará

fechado como uma porta sem ferrolho

nada restará da mão que agora tenta

dar um sentido ao que não tem escolha

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