as vozes silenciosas que nos habitam
não pedem licença nem lugar ao sol
apenas deslizam no papel que aceita
escrever poemas e depois esquecê-los
porque a memória é um pano gasto
onde o fio da palavra se desfaz lento
fica a sombra do que foi dito outrora
entre o cansaço e o breve esquecimento
não há glória na tinta que se apaga
nem rastro de sangue no verso mudo
importa o gesto de lançar ao vento
o que a alma sentiu por sobre tudo
amanhã serei outro e o livro estará
fechado como uma porta sem ferrolho
nada restará da mão que agora tenta
dar um sentido ao que não tem escolha
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