sábado, 21 de março de 2026

Madalena Mineral

 A noite é uma faca de prata cega,

que corta o arame da desventura.

Sobre a tua coxa que o céu nega,

mariposas de gelo e gesso.


O vento galopa em ferraduras de sal,

no sonho da penumbra e do tropeço.

Teu ventre é um deserto de cal,

mariposas de gelo e gesso.


Não há jasmins na tua boca de espinho,

ó que furacão de corpo e de avesso.

A morte bebe o teu vinho sozinho,

mariposas de gelo e gesso.


O amanhecer chora um sangue de hera,

o da madalena pura e nua.

Esquecida no lodo da primavera,

mariposas de gelo e gesso.

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