A noite é uma faca de prata cega,
que corta o arame da desventura.
Sobre a tua coxa que o céu nega,
mariposas de gelo e gesso.
O vento galopa em ferraduras de sal,
no sonho da penumbra e do tropeço.
Teu ventre é um deserto de cal,
mariposas de gelo e gesso.
Não há jasmins na tua boca de espinho,
ó que furacão de corpo e de avesso.
A morte bebe o teu vinho sozinho,
mariposas de gelo e gesso.
O amanhecer chora um sangue de hera,
o da madalena pura e nua.
Esquecida no lodo da primavera,
mariposas de gelo e gesso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário