Cravos de gesso ferem a madrugada,
a lua derrama seu sangue de amora;
na arena vazia, a voz sufocada,
os poetas devem se murar com duendes e fogo.
Não cantem a rosa de seda vazia,
busquem a ferida onde o grito se evola;
contra a noite fria da burguesia,
os poetas devem se murar com duendes e fogo.
O cavalo negro não aceita o freio,
a morte espreita com faca de jogo;
no meio da praça, sem medo ou receio,
os poetas devem se murar com duendes e fogo.
Deixem que a carne se queime no vento,
enquanto a guitarra soluça seu choro;
num pacto de sangue e esquecimento,
os poetas devem se murar com duendes e fogo.
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