a noite subía, nardo de agonia,
sobre o telhado de zinco escuro.
vem, menina pequena, na luz fria,
de cabelos curtos contra o muro.
não tragas luto, nem seda, nem medo,
que o vento canta um romance impuro.
o rio guarda o teu segredo,
traz teu guarda-chuva de escuro.
entre os limoeiros, o cavalo espera,
com olhos de prata no escuro.
antes que chegue a primavera,
traz teu guarda-chuva de nuvens maduras.
o relógio parou sua dança de lodo,
o ar ficou tão parado e tão duro.
a noite te leva, e te leva o lodo,
de nuvens maduras no escuro.
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