um anônimo de agulhas racha o cimento.
a tarde é um peixe podre na garganta do cego.
vomitei meu próprio nascimento:
sobre os muros frios, sonhei com o arcanjo negro.
trajava um terno de formigas e cinza.
suas asas eram de cobre e lodo, sem apego.
a cidade mastiga sua última pitada de linfa:
sobre os muros frios, sonhei com o arcanjo negro.
não há saída, gritavam os metais cravados.
o sangue do mundo é um rio negro e sossego.
deixei meus dentes nos pregos dourados:
sobre os muros frios, sonhei com o arcanjo negro.
martelos de espuma batem no coração de gesso.
o espelho dissolve o rosto que eu perco e relego.
encontrei no vazio o meu próprio tropeço:
sobre os muros frios, sonhei com o arcanjo negro.
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