Chove prata fria sobre a cal branca,
o vento soluça um romance antigo.
Minha alma é um poço que o medo tranca,
chove, e meu coração chora sem motivo.
Os limoeiros gemem sem ter espinhos,
a lua se esconde num poço de olvido.
Não há cavaleiros pelos caminhos,
chove, e meu coração chora sem motivo.
A água desenha cruzes de poeira,
no peito de gesso de um anjo ferido.
A tarde é uma barca sem marinheira,
chove, e meu coração chora sem motivo.
Não tragas laranjas, nem cantes vitória,
que o galo de chumbo já foi vencido.
Estou só na noite, sem rastro ou história,
chove, e meu coração chora sem motivo.
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