bosque de chuvosas flechas, não quero morrer sem voltar a ver-te
a lua crava facas de prata no meu peito molhado
o vento lambe as feridas com língua de sal e alecrim
e teu nome escorre devagar pelas veias da noite
bosque de chuvosas flechas, não quero morrer sem voltar a ver-te
os cavalos negros mordem a sombra das oliveiras tortas
teu vestido é cinza de pomba que o fogo esqueceu
e eu caminho descalço sobre espinhos que ainda lembram teu cheiro
bosque de chuvosas flechas, não quero morrer sem voltar a ver-te
o sino da aldeia geme com voz de vidro partido
teus olhos são poços onde afogo o último grito
e a terra bebe meu sangue como quem bebe vinho morno
bosque de chuvosas flechas, não quero morrer sem voltar a ver-te
já amanhece o ferro frio entre as árvores chorosas
mas teu perfume ainda crava pregos na aurora
e eu morro de pé, abraçando o vazio que foste
Nenhum comentário:
Postar um comentário