nos olhos da lua, um cavalo de lata.
nasci com um medo de prata e prego.
cantei meu romance onde o vento mata:
sobre os muros frios, sonhei com o arcanjo negro.
os limoeiros gemem ao ver a tarde cair.
há uma faca de fumo no ar, sem apego.
a canção da cigarra nos faz fugir:
sobre os muros frios, sonhei com o arcanjo negro.
trajava um luto de seda e espuma,
com asas de lodo e olhar morcego.
meu peito se abriu em noite nenhuma:
sobre os muros frios, sonhei com o arcanjo negro.
não me fales, cigana, de amor ou flor.
ao sul do silêncio, eu me entrego.
em minha alma brilha um cravo de dor:
sobre os muros frios, sonhei com o arcanjo negro.
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