sábado, 21 de março de 2026

Mariposa de Gesso


Deixa que eu cante, estátua de sal,

imóvel enquanto o tempo me devora.

Um relógio de cinza, lento e mortal,

morde a argila da minha própria hora.


Minha voz é um punhal que fura este branco!

um grito de cobre por ela, a rosa

mariposa de luz, no entanto,

ela voa, de seda e tão perigosa.


Sem escutar o soluço da minha veia,

ela ignora o meu peito de junco e lodo.

Apenas voa, alheia à minha areia,

para outra casa, onde se entrega o todo.

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