A lua nasceu morta, moeda de chumbo,
entre o seio de seda e a mão mineral;
o cigano de pedra, sem rumo e sem mundo,
esmagava a noite num céu de metal.
Eram açoites de cal sobre os meus olhos,
dor de maricas sob o perfume do cravo;
o jardim se tornou um mar de mil olhos,
onde o aroma das rosas me fez seu escravo.
Que doce veneno! Já não canto o dia,
pois novos poetas, de mãos de granito,
estrangulam meu peito de pura agonia:
um coração de vidro quebrado num grito.
Deixo que a noite me asfixie de vez,
entre corujas de sexo e o vento que chia;
morro na sombra, com a nitidez
de quem foi assassinado pela própria poesia.
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