o exílio do justo
com o capital no bolso e o salmo no peito
ele quis erguer o reino em chão de lama
mas viu que o ferro do sistema é estreito
e que a promessa humana apenas engana.
o socialismo era um sol de papel queimado
e o céu, um teto mudo sobre a opressão
perdeu a fé no irmão que, ao seu lado,
trocou a liberdade por um pedaço de pão.
agora o silêncio é a sua única pátria
onde o vento campestre não sabe mentir
longe da turba, da face fria e apática
ele busca a verdade que o faz resistir.
entre o trigo e a geada do campo deserto
sem bíblia, sem foice, sem voz ou sinal
ele encontra no nada o caminho mais certo
de salvar a alma do naufrágio moral.
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