sábado, 21 de março de 2026

o exílio do justo

 o exílio do justo

com o capital no bolso e o salmo no peito

ele quis erguer o reino em chão de lama

mas viu que o ferro do sistema é estreito

e que a promessa humana apenas engana.


o socialismo era um sol de papel queimado

e o céu, um teto mudo sobre a opressão

perdeu a fé no irmão que, ao seu lado,

trocou a liberdade por um pedaço de pão.


agora o silêncio é a sua única pátria

onde o vento campestre não sabe mentir

longe da turba, da face fria e apática

ele busca a verdade que o faz resistir.


entre o trigo e a geada do campo deserto

sem bíblia, sem foice, sem voz ou sinal

ele encontra no nada o caminho mais certo

de salvar a alma do naufrágio moral.

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