Sou essa coruja triste, sem asas, sem bossa,
A espreitar do alto o mundo que passa.
Uma nota dissonante, uma canção que se destroça,
Na noite sem fim, onde o tempo não traça.
Onde estão os violões, a cadência, o feitiço?
A areia branquinha, o mar a cantar?
Tudo é silêncio agora, um eterno compromisso,
Com a dor que se recusa a me abandonar.
Quem me dera um instante, um breve lampejo,
Da graça antiga que em mim já residiu.
Um sopro de vento, um doce desejo,
Do amor que um dia, sorrindo, fugiu.
Mas sigo assim, coruja sem rumo e sem sorte,
Prisioneira do medo, do escuro e do sal.
Esperando a manhã, desafiando a morte,
Neste palco vazio, onde o show já deu mal.
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