sábado, 21 de março de 2026

danzig

 danzig

o sol do equador é um chicote de fogo

que não aquece a alma, apenas a queima

meu sangue reclama o báltico, o jogo

de um gelo antigo que em mim ainda teima.


meus pais trouxeram o zinco e o granito

em malas de couro e silêncios de inverno

hoje o brasil é um grito infinito

enquanto eu busco o meu frio interno.


em danzig as torres vigiavam o porto

com a névoa cobrindo o rosto dos mortos

aqui, sob o brilho do asfalto torto,

meus ancestrais buscam portos remotos.


não sou deste brilho, desta luz de aço

meu lugar é a sombra da neve que cai

sou o resto de um mundo que perdeu o passo

um sopro de gdańsk que nunca se vai.

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