danzig
o sol do equador é um chicote de fogo
que não aquece a alma, apenas a queima
meu sangue reclama o báltico, o jogo
de um gelo antigo que em mim ainda teima.
meus pais trouxeram o zinco e o granito
em malas de couro e silêncios de inverno
hoje o brasil é um grito infinito
enquanto eu busco o meu frio interno.
em danzig as torres vigiavam o porto
com a névoa cobrindo o rosto dos mortos
aqui, sob o brilho do asfalto torto,
meus ancestrais buscam portos remotos.
não sou deste brilho, desta luz de aço
meu lugar é a sombra da neve que cai
sou o resto de um mundo que perdeu o passo
um sopro de gdańsk que nunca se vai.
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