A noite se esvai por um fio de faca,
meu rosto de cigarra — máscara de cal —
chora violões de gesso, corda fraca,
sob um enxame de estrelas de sal.
Minha alma de jasmim, pequena e ferida,
diz adeus ao paraíso que o sangue estrangula;
chora um poço de águas sem saída,
onde a rosa morta no fundo se anula.
Adeus. Escuta a sombra que se arrasta
pelos rincões de uma terra insone e dura;
minha voz é uma ferida que não basta
para saciar a sede da noite escura.
Vou cantar o último verso de agonia,
antes que o silêncio me morda a garganta;
sou um eco perdido na luz que vicia,
enquanto a terra, de frio, se levanta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário