A areia morde a tua coxa de trigo,
faca de ouro num céu de pecado.
Entre os jasmins e o perigo,
os cavalos negros avistei do teu corpo.
Não eram sombras, eram punhais,
galopando o sangue em estado de aborto.
Nas tuas veias de metais,
os cavalos negros avistei do teu corpo.
A tarde parou seu relógio de cal,
sobre o teu peito de junco e de porto.
Como um presságio do sal,
os cavalos negros avistei do teu corpo.
Tu dormes agora, silêncio de gesso,
de sol queimado, no mundo já morto.
Sem saber que no teu avesso,
os cavalos negros avistei do teu corpo.
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