A luz do mundo bate nas pestanas
como um sino de azeite e de oliveira.
Há um milagre antigo nas manhãs
e o Cristo anda na raiz da primavera.
Não busques o verso nos livros do vento,
nem o fogo escondido na cinza da rua.
O amor tem a forma de um doce tormento
quando a alma nos olha e a noite flutua.
A pessoa certa traz o mar no horizonte,
tem o olhar cheio de poesia e de amor.
Pois a poesia e o amor estão nos olhos,
já nos dizia o Cristo, com seu passo de flor.
Voam pombas brancas na vidraça do pranto.
O tempo se detém na pupila sagrada.
Dois mundos se abrem no mesmo espanto
e a alma encontra, enfim, sua morada.
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