terça-feira, 22 de setembro de 2026

Poesia

 A luz do mundo bate nas pestanas

como um sino de azeite e de oliveira.

Há um milagre antigo nas manhãs

e o Cristo anda na raiz da primavera.


Não busques o verso nos livros do vento,

nem o fogo escondido na cinza da rua.

O amor tem a forma de um doce tormento

quando a alma nos olha e a noite flutua.


A pessoa certa traz o mar no horizonte,

tem o olhar cheio de poesia e de amor.

Pois a poesia e o amor estão nos olhos,

já nos dizia o Cristo, com seu passo de flor.


Voam  pombas brancas na vidraça do pranto.

O tempo se detém na pupila sagrada.

Dois mundos se abrem no mesmo espanto

e a alma encontra, enfim, sua morada.

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