segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Poetas e o Anjo

para L.B com carinho


Contemplam os dois poetas ateus 

O anjo de pedra na beira do mar morto burgues...

A água sem peixes, a água sem riso,

Onde a tarde desaba em cinza e juízo,

E o vento de chumbo repete a canção

De um mundo fechado na própria prisão.

O anjo de pedra, de asas pesadas,

Guarda o segredo das horas passadas.

Não tem ventania, não tem oração,

Só o tédio cravado na salgada amplidão.


E os dois poetas, de olhos abertos,

Caminham sozinhos por estes desertos.

Sem Deus, sem esperança, sem febre de céu,

Comem o pão duro do amargo troféu.

O mar é de sal, a burguesia dorme

Sob a estátua fria, solene e enorme.

E eles contemplam o nada profundo,

Enquanto a noite estrangula este mundo.

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