para L.B com carinho
Contemplam os dois poetas ateus
O anjo de pedra na beira do mar morto burgues...
A água sem peixes, a água sem riso,
Onde a tarde desaba em cinza e juízo,
E o vento de chumbo repete a canção
De um mundo fechado na própria prisão.
O anjo de pedra, de asas pesadas,
Guarda o segredo das horas passadas.
Não tem ventania, não tem oração,
Só o tédio cravado na salgada amplidão.
E os dois poetas, de olhos abertos,
Caminham sozinhos por estes desertos.
Sem Deus, sem esperança, sem febre de céu,
Comem o pão duro do amargo troféu.
O mar é de sal, a burguesia dorme
Sob a estátua fria, solene e enorme.
E eles contemplam o nada profundo,
Enquanto a noite estrangula este mundo.
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