Me faltam títulos
para os meus poemas.
Estarei morto?
A fruta sobre a mesa
me mira com dó e tristeza.
O fruteiro está cheio de moscas.
Estarei morto?
Ela passa nua por mim,
e meus olhos cheios de
água vai lavando minha alma.
Ela de calcinha vermelha era
o muro que me protegia de tudo.
Estarei morto?
Os cavalos ciganos continuam
bailando entre as estrelas frias.
E eu, deitado no sofá,
miro o mar cheio de agulhas,
e sinto medo.
Eterno medo de algo que me
encontrará pelas esquinas sombrias.
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