terça-feira, 22 de setembro de 2026

Balada de desespero

 Me faltam títulos

para os meus poemas.

Estarei morto?

A fruta sobre a mesa

me mira com dó e tristeza.

O fruteiro está cheio de moscas.

Estarei morto?

Ela passa nua por mim,

e meus olhos cheios de

água vai lavando minha alma.

Ela de calcinha vermelha era

o muro que me protegia de tudo.

Estarei morto?

Os cavalos ciganos continuam

bailando entre as estrelas frias.

E eu, deitado no sofá,

miro o mar cheio de agulhas,

e sinto medo. 

Eterno medo de algo que me

encontrará pelas esquinas sombrias.

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