A foice da lua corta a oliveira.
O vento traz um cavalo de fumaça pelo mar.
Tenho medo da morte fria na ribeira,
onde os anjos perderam o rumo.
Severas folhas nos olham do alto,
com olhos de silêncio e de poeira.
O tempo salta num pálido asfalto
e o peito geme na última fogueira.
O destino é uma foice de fantasmas
que ceifa o ouro dos nossos dias.
A noite estende suas negras palmas
sobre as velhas e mudas profecias.
Corre o sangue na curva do espinho.
Ninguém responde à nossa oração.
Só a terra dura no nosso caminho
e o frio ferro na solidão.
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