A névoa pálida recobre a via escura,
onde o asfalto espelha o brilho da calçada;
ela caminha só, figura atormentada,
por entre a bruma densa e fria da amargura.
Em fio dental amarelo, a carne pura
exibe a curva imensa e delineada;
dois globos de luar, de aurora suntuosa e pesada,
entre o silicone e o sangue da natura.
E o tempo passa, lento, em cinzas de fumaça,
enquanto o passo dela corta a noite em dois,
deixando o mundo em pranto, estéril e sem graça.
Olhamos de longe o rito que se desfaz após,
o corpo esplêndido na sombra que ameaça,
eco de um canto antigo, sem voz e sem nós.
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