Na trágica noite de ouro e de tormento,
Onde a alma geme um hino de pecado,
Oito vezes virgem, num sonho assombrado,
E oito vezes puta, no vento e no lamento!
Traz nos olhos verdes o eterno tormento
Do vício santo e do amor profanado;
E nos seios dourados, o fado sagrado,
Que a carne condena ao místico acento.
Oh, dualidade de treva e de graça,
Onde o prazer com a desgraça abraça
Num delírio branco de ânsia e de dor!
Cintila a essência da mística lura:
Santuário e abismo, formosa ventura,
No fulgor maldito de um pálido amor!
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