terça-feira, 22 de setembro de 2026

O cafezal escuro da memória

 O cafezal escuro observava

teu corpo com os meus olhos.

Ó, corpo negro, corpo macio.

E ali, com o brilho da tua caricia

tu mijavas teu banho de urina.


Como esquecer tua voz,

tua voz doce de negro africano:

"Olha aqui, tá duro" sim, duro estava

e aqui maravilhou meus olhos,

seduziu minha boca como um

inseto atraido pela luz.


E, batendo sem saber bater,

eu batia, e você pedia, "não,

senta aqui", mas eu não sentei 

(arrependimento de querubim sereno).

E, mesmo sem sentar, o fluxo branco

saltou da glande sagrada do teu amor.

E alim sua voz secreta: não conta pra ninguém.

E até hoje para ninguém a não ser a você

eu contei!

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