O bronze abala o ar e o tempo geme,
num som de cinza e poeira sobre a rua.
A névoa desce, a noite avança e ruma
aonde a alma se cansa e nada teme.
Passos ecoam rasos na calçada,
eco sem rosto, eco de um fim vazio.
O coração, de escuro e de silêncio frio,
conta os minutos de uma hora errada.
E o sino bate, monótono e pesado,
lembrando o que não foi, o que foi tanto,
no tédio lento de um eterno pranto.
Ficamos sós no quarto fechado,
enquanto o mundo, em círculos mudo e grego,
repete o mesmo e inútil morcego.
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