domingo, 20 de setembro de 2026

Sinos do Tédio


O bronze abala o ar e o tempo geme,

num som de cinza e poeira sobre a rua.

A névoa desce, a noite avança e ruma

aonde a alma se cansa e nada teme.


Passos ecoam rasos na calçada,

eco sem rosto, eco de um fim vazio.

O coração, de escuro e de silêncio frio,

conta os minutos de uma hora errada.


E o sino bate, monótono e pesado,

lembrando o que não foi, o que foi tanto,

no tédio lento de um eterno pranto.


Ficamos sós no quarto fechado,

enquanto o mundo, em círculos mudo e grego,

repete o mesmo e inútil morcego.

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