domingo, 20 de setembro de 2026

A Porta Fechada


A tarde cai em cinzas sobre a escada,

e a porta cega guarda o pó de um tempo vão.

Sentada ali, moça morena, em flor de solidão,

ela me olha da calçada abandonada.


Seus olhos pedem o que a noite abriga:

«Tens tu uma lâmina? Uma faca só de corte?»

Respondo o nada, o eco da minha sorte:

«Não tenho o aço, mas a doce espiga...»


Mostro o chiclete, e o gesto se desfaz.

Ela sorri na bruma, o lábio leve,

enquanto o mundo estéril se desfaz e chove.


Dou meia-volta, a mente fria e paz,

deixando a moça e a porta trancada em breve,

numa cidade morta onde nada se move.

Nenhum comentário:

Postar um comentário