A tarde cai em cinzas sobre a escada,
e a porta cega guarda o pó de um tempo vão.
Sentada ali, moça morena, em flor de solidão,
ela me olha da calçada abandonada.
Seus olhos pedem o que a noite abriga:
«Tens tu uma lâmina? Uma faca só de corte?»
Respondo o nada, o eco da minha sorte:
«Não tenho o aço, mas a doce espiga...»
Mostro o chiclete, e o gesto se desfaz.
Ela sorri na bruma, o lábio leve,
enquanto o mundo estéril se desfaz e chove.
Dou meia-volta, a mente fria e paz,
deixando a moça e a porta trancada em breve,
numa cidade morta onde nada se move.
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