Tira a roupa, ó flor de lupanar,
Na ardente febre do espasmo impuro!
Mulher de bordel, num trágico escuro
Onde a alma cega não ousa sonhar.
Não temas pensar, nem o sonho buscar,
Doce romance de um fado venturoso;
Cai o véu espesso, o silêncio ódioso,
No torpe abismo do falso amar!
Quero ver teus peitos, na treva nua,
Sob a pálida luz de uma fria lua,
Rasgando o manto do santo pudor!
Eis a carne nua, sem lei nem prece,
Onde o gozo triste e mudo adormece
No altar profano de um rude amor!
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