A moscas da vida
me espanta...
o trem apita e meu coração soluça uma
ansiedade estranha, que não sei de que...
o tempo moderno é uma frescura...
meu Deus do céu, para que
tantas pessoas nesse mundo inutil...
lá fora o frio e a chuva sem se
importar com os mendigos continua
caindo,
os burgueses ali também não se importam com ele,
nem com o aluguel que os pobres devem,
nem com as tristezas que devemos carregar
como uma cruz,
uma cruz, Senhor meu, nesse mundo inutil...
escuta, essas asas de pomba,
esse passar de serpente,
mas sua boca foi um beijo que nunca tive,
e embora eu tive seu cuzinho macio
debaixo do chuveiro, fiz coisas e coisas,
e mesmo assim,
escuta, apita o trem da vida.
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