terça-feira, 22 de setembro de 2026

Amuleto de dor

 A moscas da vida

me espanta...

o trem apita e meu coração soluça uma

ansiedade estranha, que não sei de que...

o tempo moderno é uma frescura...

meu Deus do céu, para que

tantas pessoas nesse mundo inutil...

lá fora o frio e a chuva sem se

importar com os mendigos continua

caindo,

os burgueses ali também não se importam com ele,

nem com o aluguel que os pobres devem,

nem com as tristezas que devemos carregar

como uma cruz,

uma cruz, Senhor meu, nesse mundo inutil...

escuta, essas asas de pomba,

esse passar de serpente,

mas sua boca foi um beijo que nunca tive,

e embora eu tive seu cuzinho macio

debaixo do chuveiro, fiz coisas e coisas,

e mesmo assim,

escuta, apita o trem da vida.


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