domingo, 20 de setembro de 2026

Anja que valsa nua pelo céu


Há no alto, na imensidão vertiginosa dos astros,

uma criatura de carne de estrela e sonho puro:

é Anja,

a que caminha descalça sobre o vento,


a que desata os cabelos na noite funda

e desce em valsa nua pelos abismos do céu.

A sua dança não tem chão, tem ânsia!

É uma valsa sem música de terra,

apenas o silêncio vasto do cosmos

a embalar seus passos de brisa e vertigem.


Ela gira,

gira sobre os telhados adormecidos,

sobre as cidades cheias de pecado e angústia,

como uma promessa de eternidade que não se alcança.


Oh, Anja de carne etérea e olhar de infinito!

Teus passos nus ferem a abóbada celeste

de uma claridade que dói na alma.

E os homens, cá embaixo,


com seus passos pesados e mãos cheias de cinza,

olham para cima e sentem a solidão do mundo,

vendo-te passar assim 

tão leve,

tão nua,

tão tragicamente distante.

Valsa, Anja! Valsa sobre a nossa noite escura,

enquanto o peito humano se consome

nesta sede inextinguível de infinito.

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