Há no alto, na imensidão vertiginosa dos astros,
uma criatura de carne de estrela e sonho puro:
é Anja,
a que caminha descalça sobre o vento,
a que desata os cabelos na noite funda
e desce em valsa nua pelos abismos do céu.
A sua dança não tem chão, tem ânsia!
É uma valsa sem música de terra,
apenas o silêncio vasto do cosmos
a embalar seus passos de brisa e vertigem.
Ela gira,
gira sobre os telhados adormecidos,
sobre as cidades cheias de pecado e angústia,
como uma promessa de eternidade que não se alcança.
Oh, Anja de carne etérea e olhar de infinito!
Teus passos nus ferem a abóbada celeste
de uma claridade que dói na alma.
E os homens, cá embaixo,
com seus passos pesados e mãos cheias de cinza,
olham para cima e sentem a solidão do mundo,
vendo-te passar assim
tão leve,
tão nua,
tão tragicamente distante.
Valsa, Anja! Valsa sobre a nossa noite escura,
enquanto o peito humano se consome
nesta sede inextinguível de infinito.
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