As horas — chumbo derretido.
O coração,
uma pedra cravada no flanco da agonia.
Névoa.
Lã cinzenta sobre os olhos do tempo.
As lembranças sangram
nas frestas da escama,
cheias de mágoa e ferrugem.
Nenhum farol.
Apenas o hálito branco da névoa
fechando-se sobre o peito.
Tu respiras o pó dos dias mortos.
E a hora passa,
uma lâmina cega
cortando o que restava de nós.
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