De verde, igual serpente,
folha aberta, sempre como
o boldo secreto, o chá
da tua boca, a exegese
perfeita da tua perfeição.
Vê teu corpo nas nuvens entrelaçadas
entre o mar e a pedra.
Boca serena, boca de cereja,
mulher que carrega no peito o
pequeno cosmo feito de suor e cuspe.
Seguimos em frente, e no teu apartamento,
óh pintura cubista que vi,
entrelaçado mapa que não se
pode esquecer, teu vestido transformou-se
na memória, e a memória transformou-se no espelho.
Dia após dia a saudade fez o fogo arder.
Agora o nada e o tempo se misturam.
Sua imagem ainda estampa meu coração.
Podemos sofrer, mas você já não existe.
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