domingo, 20 de setembro de 2026

Sinos de Esperma


A névoa úmida suspende o fôlego na esquina,

sob a carcaça de ferro e o poste cego;

o tempo rasga a carne em que me entrego

a esta febril e densa luz que nos ilumina.


Na penumbra do quarto o mundo se desfaz,

e o corpo negro, imenso, ergue-se em brasa;

na ânsia sagrada que nos invade e abrasa,

a boca o consagra na paz que ele traz.


O espumar branco salta em jacto puro,

fulgor breve na noite que nos condena,

enquanto o sorriso dele ilumina a cena.


E assim celebro o amor no templo escuro,

entre sinos mudos, o gozo e a dor tamanha:

homem com homem, a febre que nos entranha.

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